terça-feira, outubro 17, 2006

The River Boat

Não sou dada a jogos de azar. Basta-me a vida. Mas recordo 1993: com vinte anos, tinha acabado de ingressar na maior aventura: os NUA. Éramos 5: o Vicente, o Paulo, o Mário, o Pedro e o Bruno. (Até o Caveirinha (The Temple) , chegou a fazer-nos back vocals, ao vivo, e em gravações no mítico e perturbante Rec'n Roll dos irmãos Barros). Todos eles, praticamente comiam do pão que o Diabo amassara, passo a expressão. É sem dúvida a melhor que se adapta ao trajecto. Todos eles, ambicionavam umas noitadas um pouco mais adocicadas pelos prazeres da vida que apenas se despem para um número restrito de seres. Éramos loucos, pelo que agora, somos exponencialmente loucos. Após um dos primeiros ensaios nos estúdios JAP (Moscavide lost city!), resolvemos seguir para o Casino do Estoril. Talvez ambicionando iludirmo-nos ao som de Slot Machines ávidas de falhas de personalidade. Autênticas viroses ao nosso dispor. Recordo-me: uma senhora dos seus 60 anos. Blonde, lama de cor na face. Ao sentar-se perante a virose, recordo-me de vê-la como se o mundo acabara ali: aquela criatura à mercê de não sei o quê. Esse não sei o quê: o azar. Da nossa sorte, o azar resolvera bater-lhe à porta: tínhamos ganho 250 c0ntos. Com uma única sortuda moeda. E nessa noite, descobri uma das mais singulares equações da vida: a minha sorte é o teu azar. A minha infelicidade gera felicidade e a tua felicidade gera a minha infelicidade, como se de uma balança de contra-pesos se rege a vida.
Para os mais curiosos: naquela noite, como teremos ido adocicar-nos? Certamente não irão acreditar, mas foram 4 dias, e a quantia de 250 contos em hamburgers e fried potatoes (já que estou numa de estrangeirismos) num fast-food que havia na Rua da Misericórdia: The River-boat.
O barco do rio: os NUA tinham uma música lindíssima e que contava que a Lua se tinha apaixonado pelo Rio. Seguia, embora presa ao céu, o Rio, embora preso à corrente. É o que a vida é. Seres apaixonados, presos.

13 comentários:

Anónimo disse...

"E nessa noite, descobri uma das mais singulares equações da vida: a minha sorte é o teu azar. A minha infelicidade gera felicidade e a tua felicidade gera a minha infelicidade, como se de uma balança de contra-pesos se rege a vida."
....para que um ganhe outro tem de perder.... não há negócios justos!

Sophia disse...

Talvez seja um negócio justo se estiveres disposto a perder...se estiveres disposto a dar mais do que a receber...:)

LaBruyere disse...

CIRCULO


Afinal hoje a Terra rodou para o mesmo lado!

É uma certeza que a vida me tem ensinado.

- Esqueceste ? Com franqueza !!!

LaBruyere

LaaBruyere disse...

Titulo: Silêncio nos Lábios

O azul do mar encostou-se ao azul do céu

e os lábios encontraram-se e sorriram,

trocando lampejos

entre a faísca e o trovão,

e nós éramos o silêncio

de um segundo até à eternidade.

O tempo não conta,

afinal tudo o que é possível neste lugar.

Somos pouco mais que um beijo.

(Abílio de Matos Galinha)

LaBruyere

tambem tenho a minha «veiazinha» poética... (risos) ...

LaaBruyere disse...

mais um, baseado numa figura matematica... poema curto mas muito...


Titulo: Lissajous

Nas tuas Curvas eu rodopio,

as suaves Curvas do teu Corpo.

(Abílio de Matos Galinha)

LaBruyere

LaaBruyere disse...

esperando não estar a ser «xato»...



Titulo: pão

O pão é o meu nome, uma lâmpada em forma de pirâmide.
Não sou o grito provisório, mas o grito definitivo.
Sou verdadeiramente lógico.
Sou poderoso e lúcido, sensível e forte.
Sou analisável em crateras, em citaras incendiárias,
bebendo a primavera, essa lira transparente
embala na dura luta,
melhor direi: que sou, do pão, a côdea.
Trago tisnada a fronte
do trigo verde que tens amassado
e visto de dureza quebradiça
a dádiva de mãos a tomar entre dentes.
Outras sementes tenho no tempo lançado,
exposto à crueza ímpia do medo,
que me faz irromper a terra árida
sobrando como se fosse desperdício,
para outros, a abundância!
NÃO!
Servo ou Senhor:
Dignidade!
Cantando, sempre, o hino da Liberdade.


(Abílio de Matos Galinha)

LaBruyere

LaaBruyere disse...

e para terminar, desejando-te as maiores felicidades e...



Titulo: SUL

O Farol,
guia luminoso das nossas ideias,
fonte do Norte no mar revolto,
referência de porto seguro,
tal como a Estrela
num circulo de seis pontas.


Respiro a Lua onde sílabas macias gemem lábios.
Respiro as aves, na sua nocturna respiração.
Falo devagar.
Lá fora, o crepúsculo desmantelado,
a primavera de um ano novo e a intenção de criar,
primaveras líricas.
Luar-Cheio.


Melancolia é meu nome, grito inapagável.


O meu barco será canto, o centro de factos novos.
Parou a vida à tua partida.
Gelou-se o coração na despedida.
Remo devagar.
Por dentro estremece o vagar.
Ou será o arrepio de ti, uma sombra, um vazio desmedido.


Rumo ao Sul onde o mar é mais azul.
Oh! Mar.


(Abílio de Matos Galinha)

LaBruyere

se estes versos te derem inspiração para alguma composição fica à vontade... (risos) ... Bjks

Sophia disse...

Deambular nesses poemas....é um excelente começo de dia. Obrigada:)

Anónimo disse...

Ainda há pouco tempo estive a ouvir essa música na cassete que me ofereceste em 1995.

E sabia a letra quase toda.

Um beijinho

Rui

Sophia disse...

Rui, tenho um sorriso do tamanho XL na minha face ao ler-te:)

Anónimo disse...

Olá Sofia!
Que viagem me proporcionaste ao escrever estas palavras,
lembro-me desses dias com a saudade de quem nunca os irá repetir mas os recordará para sempre...E lembro-me da sensação arrepiante de tocar a "Lua Azul" num corredor de algum conservatório a guitarra e voz.
"...E a noite chorou lagrimas de solidão..."
è bom acompanhar esta vossa nova aventura e nunca me esqueço de vocês apesar da distância que não sendo muita parece a anos luz. Afinal a viagem está sempre no seu inicio...
Obrigado pela lembrança!
Pedro

Sophia disse...

Pedro...confesso...tenho os olhos em chamas. Só hoje vi o post...

llq disse...

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