sábado, fevereiro 22, 2020

Tudo vejo, meu amor.

Existe aquela velha expressão: "perco-me na noite".
Intenção, tesão, reacção.
Perder-me na noite, apaga tudo o que sou
Para que tudo possa ser.
Se no perdão, me vou
Para nos teus braços ver
Que nada sou e tudo posso ser,
Uma, duas cores bastam-me de ti
Para sentir as dores de que nada sou.
Tudo vejo meu amor. Vou.

quinta-feira, setembro 05, 2019

Palma

Vocês morreram
Mas eu posso
Eu posso ter-vos
Na palma da minha mão.

Fecho a minha memória
Abro uma nova história
Abro-me sem regresso
Só a Deus, eu peço

Passo a página
Com muita calma
No silêncio absoluto
Da minha palma.
            (silêncio)



quarta-feira, setembro 04, 2019

O nosso corpo


Pinga ao sol.
Sem pudor
Meu amor
O nosso corpo
Brinc'ó pó
Deu o nó
Para sempre
Ó bendito.





quarta-feira, julho 17, 2019

A Negra



Sentir-se quando a noite não tem paredes
De costas despidas
Gélida, para que o pensamento ecoe
Solto a negra
De turvos  candeeiros
Como a vista de Deus
Sobre ti,
Disforme para que não te veja.




quinta-feira, junho 27, 2019


Estás
tão longe.
Numa impossibilidade que nos ultrapassa.

domingo, junho 16, 2019

Os dias seguem intemporais, sem nada que os faça notar.

quinta-feira, novembro 01, 2018

A vida dos Outros.

Cada palavra é um passo em frente, para o abismo, esse fosso do passado. 
Teme e geme, no sopro da vida dos Outros. 
Canta e espanta a vida dos Outros. 
Sopra o pó das asas e levanta-te aos poucos. 


segunda-feira, julho 16, 2018

Solidão invertida

Pois eram: dias após o falecimento do meu pai, estava na Superfm a dar uma entrevista em modo zombie. Um pouco perdida sim, mas abraçada pelo João e pelo Sérgio. A Telma Dourado da Superfm ajudou a superar cada minuto desta entrevista sem perceber o que navegava cá no fundo: a morte- a solidão invertida para quem não parte. Para quem fica. 

quinta-feira, maio 03, 2018

Pano de cena


De regresso às intempéries.
O mundo sonha. E nós estamos para o mundo. O mundo está para nós como nós estamos para  o mundo- vértice a vértice, como pano de cena, onde tudo se esconde e tudo se revela.

sábado, novembro 04, 2017


Nos teus braços-abraços

Nos teus braços-abraços, musicava todas as tuas palavras. A cor do teu brilho despia-me de todas as dores e medos. Havia, em nós, como que um rodopio rolando sob as nossas preces para que nos fingíssemos. Nada estava certo, porque estava certo.


sexta-feira, maio 27, 2016

sábado, outubro 04, 2014

a.

Nada silencia a noite.

sexta-feira, outubro 03, 2014

A minha verdade

É nos próximos passos, que a ansiedade fermenta. O novo disco dos Cinemuerte está para sair em breve, e tenho aquela sensação de nada-sensação. A malta vai estranhar o disco como quem estranha uma pessoa que não reconhece.
Estranhamente, esta fase da banda é a maior paixão da minha vida.
Esta frase fica-me tão mal. Mas é a minha verdade.
Somos imperfeitamente perfeitos.

quinta-feira, janeiro 02, 2014

segunda-feira, dezembro 02, 2013

Tolo-bom ou o Erro de viver.

Tolo-bom ou o Erro de viver.
Nesta vida, ser bom, é precisamente o caminho da desgraça pessoal. O fazer o bem não é caminho com retorno. Que grande tanga essa que nos ensinam: dar para receber.
Os seres mais bem sucedidos são os que prot...egem a sua individualidade, os seus interesses.
Pois na verdade vos digo, que jamais me nasce o interesse do sucesso pessoal. Ambiciono a paz de espírito e a dos outros, apenas. Sei perfeitamente que sempre perdi à conta de fazer o "Bem". E tenho a noção clara da aposta perdedora na minha forma de ser. Não procuro explicar nem que me expliquem o meu erro de viver. Apenas o vivo, e sinto que ser tolo-bom, é como a música que nos ensina a ser: é-se apenas nas mãos de um destino maior.
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quarta-feira, novembro 06, 2013

Porque me' vais embora?

Lentamente, perco o som da tua voz, da tua vez. Descemos numa estação onde o tempo parou.
Porque me' vais embora?

sexta-feira, outubro 25, 2013


Deus me tire de onde me encontro.
Parei.

segunda-feira, outubro 07, 2013

As escolhas de Deus

As escolhas de Deus.
Nelas me encontro, numa profundeza tardia.
Falamos mais do que nunca, pela distância que nos separa mais do que nunca.
Mais do que nunca, estamos mudos e surdos, um do outro.
Mais do que nunca, temos a certeza do nosso existir neste paramundo.