sexta-feira, março 08, 2013

terça-feira, fevereiro 05, 2013

'louque ceria

A confiança é um saudável voto de pseudo-loucura, sem o qual enlouqueceria.

quinta-feira, janeiro 03, 2013

Dorme, meu amor

Manhã de 31 de Dezembro: sempre o mesmo ritual, o ritual que cumpro para confirmar que estou viva, porque nem sempre tenho a certeza se o sonho é a vida, ou a vida é o sonho. Ponho-me frequentemente a pensar de que lado me sento perante o  espelho virtual que separa o "meio sono". Estou aqui ou ali? Mas sou eu. E essa é a minha certeza. Na manhã de 31 deste ano, o chá da manhã na Praça da Figueira, a caminhada descendente de olhos arqueados azuis, deitando-se no acinzentado céu do mês "só", a passagem pelo S. Domingos e a ginja D. Maria esfriaram a minha certeza: corações de cartão engrossados pela penúria de um sem -amanhã e um sempre-ontem enodoam as calçadas, os bancos da avenida da pobre-liberdade.  Ironicamente, nessa dita avenida da pobre-liberdade, apercebo-me então que os corações de cartão estão aninhados na direcção de quem mais come, de quem mais degluta manifestações cuspidas.Grosseiramente cuspidas. O pobre da avenida da pobre-liberdade já nem se importa se a terra gira, porque o seu coração de cartão colou-se ao chão. Dorme, meu amor, no espelho da vida.

domingo, dezembro 23, 2012

As tuas

O melhor embrulho, são as tuas mãos na minha prenda.

sábado, outubro 27, 2012

3


Amores de perdição- suicídios em vida.
A ironia do meu destino.


quarta-feira, outubro 10, 2012

The girl

The girl that saw cats that never existed
The girl that was never meant to live in this world.

terça-feira, setembro 25, 2012

Único destino

Passam os dias, passam os anos, como formigas. Em linha, com um único destino. E enquanto a sopa de beldroegas arrefece-me, sigo saltando de palavra em palavra, também em linha com um único destino.

sexta-feira, agosto 31, 2012

Saudade do futuro.

domingo, agosto 26, 2012

De um ausente-presente.

Com uma facada em suspiro, mato o dia. É noite- traz-me a leveza,  porque morro lentamente. Na escuridão, do teu rosto, apago cada rio de expressão, cada ruga de um carácter que os dias cravaram a frio.Permites que te apague? Permites que te esfarele? Na cor de pó de que a memória pintou o resguardo da cama? De um ausente-presente?


terça-feira, agosto 14, 2012

Uma manta de pássaros.

terça-feira, julho 03, 2012

Palavras ocas



No meu bolso, passeio a noite.
Os teus olhos negros postos em mim,
Profundos na cerrada escuridão
Beliscam-me em palavras ocas.

terça-feira, junho 26, 2012

Em fogo lento



O beijo quente da tua boca.
O suspiro de Deus que me tenta,
Para nos perdermos em fogo lento.


domingo, junho 24, 2012

Ela destila quando eu destilo

Os meus pensamentos embebedam-se da minha insómnia.
À Anilde. Ela ama-me como poucos. Ela entende-me como poucos. Nós nem somos da mesma cor. Nada em nós, converge. E ainda assim, ela vê-me. Ela lê-me. Ela destila quando eu destilo.

segunda-feira, junho 18, 2012

Porto de abrigo.

Blank, blank.

quarta-feira, junho 06, 2012

Tenho a voz no abismo.

Começaram as noites sem comer, os dias sem fim de trabalho, o trabalho que dá pão e o trabalho que alimenta a alma desnudada à procura de si.
Começaram as noites em que dou os maiores encontrões na noite profunda que me recebe à saída da sala de ensaio.  Passo fome, porque me esqueço. De mim.
Começaram as noites e o mundo passa por mim.
E quando me liberto por volta da meia-noite, percebo que me perdi na minha solidão, a que mais me ama, a que mais me respeita, que nunca me trai.
E deixamos tantas músicas e tantos sonhos para quem? E para quê? Tenho a voz no abismo. Dói-me, muito porque dê tudo, porque a dei a todos sem presença. Estou sem uma gota de voz nestas veias em jeito de trepadeira num corpo vertiginoso que me guia com os olhos postos em ti.

terça-feira, maio 29, 2012

Inexistência

Para mim, e para todos aqueles que aqui se identificam:

Nunca nos acham muita piada, a não ser depois de mortos.
Vêem-te como uma carta fora do baralho até ao dia em que Deus te murmura ao ouvido e te apagas conforme a Lei da Vida (?). E eis que morreste. E essa carta, assim, no meio do nada, a carta que foste, fora do baralho, revela-se um rei de copas, ou de espadas, se estiveres em pé de guerra. Tudo parece uma piada..uma piada de mau gosto. E tu, ris-te. Finges que tudo está bem, que tudo faz sentido, que a atrocidade na tua vida, é a cereja agridoce no topo de umas camadas arquitectonicamente bem montadas de um pão-de-ló ressequido de tanta porrada que levaste e vais continuar a levar. És o aborto social das elites. És a antítese levantada ao quadrado da resposta certa num exame de resposta múltipla, onde tudo está rigorosamente definido, até mesmo a tua, a nossa Inexistência- a rainha das noites sem tecto, das noites privadas de muros, de um sentido de pertença que em nós não cabe.

segunda-feira, maio 28, 2012

B

Branco, branca, blank.

terça-feira, maio 22, 2012

Absoluto-astuto

Não sei se alguma vez cheguei a gostar de ti. Penso que a resposta encontra o seu ponto no vazio. Sei que morreste, a tua fúria, o teu ódio morreu. Contigo, levas tudo, levas-nos as nós, as crianças que tentámos ser, nas pastas pesadas que carregaste no ódio de nos ter como teus netos, filhos de um pai odiado. Tentaste tudo partir, semear o desespero, o medo, alimentaste-nos na ira. Desequilibrados que somos hoje, nada mais temos a temer. Tudo tem um fim. E a ironia irradia neste virar de página em silêncio absoluto-astuto, porque nada tem para dizer, porque nada quis alguma vez concluir.

segunda-feira, maio 21, 2012

O tormento

Os meus dias e as minhas noites.
Esse temor de adormecer, de entardecer o peso da tua vida na minha. Nos meus sonhos, passeiam os teus pés cândidos tracejando-se até mim, para que as tuas pesadas mãos se esmaguem no tormento.

terça-feira, maio 08, 2012

O meu sorriso

Hoje, perdi o meu sorriso.
Não sei bem onde,
Talvez por onde tenha passado,
Numa qualquer esquina,
Onde as palavras quebram em tamanha verdade,
Onde a ordem do mundo se expõe  em contraluz,
Num ângulo certeiro, dourado, em cruz.