terça-feira, setembro 25, 2012

Único destino

Passam os dias, passam os anos, como formigas. Em linha, com um único destino. E enquanto a sopa de beldroegas arrefece-me, sigo saltando de palavra em palavra, também em linha com um único destino.

sexta-feira, agosto 31, 2012

Saudade do futuro.

domingo, agosto 26, 2012

De um ausente-presente.

Com uma facada em suspiro, mato o dia. É noite- traz-me a leveza,  porque morro lentamente. Na escuridão, do teu rosto, apago cada rio de expressão, cada ruga de um carácter que os dias cravaram a frio.Permites que te apague? Permites que te esfarele? Na cor de pó de que a memória pintou o resguardo da cama? De um ausente-presente?


terça-feira, agosto 14, 2012

Uma manta de pássaros.

terça-feira, julho 03, 2012

Palavras ocas



No meu bolso, passeio a noite.
Os teus olhos negros postos em mim,
Profundos na cerrada escuridão
Beliscam-me em palavras ocas.

terça-feira, junho 26, 2012

Em fogo lento



O beijo quente da tua boca.
O suspiro de Deus que me tenta,
Para nos perdermos em fogo lento.


domingo, junho 24, 2012

Ela destila quando eu destilo

Os meus pensamentos embebedam-se da minha insómnia.
À Anilde. Ela ama-me como poucos. Ela entende-me como poucos. Nós nem somos da mesma cor. Nada em nós, converge. E ainda assim, ela vê-me. Ela lê-me. Ela destila quando eu destilo.

segunda-feira, junho 18, 2012

Porto de abrigo.

Blank, blank.

quarta-feira, junho 06, 2012

Tenho a voz no abismo.

Começaram as noites sem comer, os dias sem fim de trabalho, o trabalho que dá pão e o trabalho que alimenta a alma desnudada à procura de si.
Começaram as noites em que dou os maiores encontrões na noite profunda que me recebe à saída da sala de ensaio.  Passo fome, porque me esqueço. De mim.
Começaram as noites e o mundo passa por mim.
E quando me liberto por volta da meia-noite, percebo que me perdi na minha solidão, a que mais me ama, a que mais me respeita, que nunca me trai.
E deixamos tantas músicas e tantos sonhos para quem? E para quê? Tenho a voz no abismo. Dói-me, muito porque dê tudo, porque a dei a todos sem presença. Estou sem uma gota de voz nestas veias em jeito de trepadeira num corpo vertiginoso que me guia com os olhos postos em ti.

terça-feira, maio 29, 2012

Inexistência

Para mim, e para todos aqueles que aqui se identificam:

Nunca nos acham muita piada, a não ser depois de mortos.
Vêem-te como uma carta fora do baralho até ao dia em que Deus te murmura ao ouvido e te apagas conforme a Lei da Vida (?). E eis que morreste. E essa carta, assim, no meio do nada, a carta que foste, fora do baralho, revela-se um rei de copas, ou de espadas, se estiveres em pé de guerra. Tudo parece uma piada..uma piada de mau gosto. E tu, ris-te. Finges que tudo está bem, que tudo faz sentido, que a atrocidade na tua vida, é a cereja agridoce no topo de umas camadas arquitectonicamente bem montadas de um pão-de-ló ressequido de tanta porrada que levaste e vais continuar a levar. És o aborto social das elites. És a antítese levantada ao quadrado da resposta certa num exame de resposta múltipla, onde tudo está rigorosamente definido, até mesmo a tua, a nossa Inexistência- a rainha das noites sem tecto, das noites privadas de muros, de um sentido de pertença que em nós não cabe.

segunda-feira, maio 28, 2012

B

Branco, branca, blank.

terça-feira, maio 22, 2012

Absoluto-astuto

Não sei se alguma vez cheguei a gostar de ti. Penso que a resposta encontra o seu ponto no vazio. Sei que morreste, a tua fúria, o teu ódio morreu. Contigo, levas tudo, levas-nos as nós, as crianças que tentámos ser, nas pastas pesadas que carregaste no ódio de nos ter como teus netos, filhos de um pai odiado. Tentaste tudo partir, semear o desespero, o medo, alimentaste-nos na ira. Desequilibrados que somos hoje, nada mais temos a temer. Tudo tem um fim. E a ironia irradia neste virar de página em silêncio absoluto-astuto, porque nada tem para dizer, porque nada quis alguma vez concluir.

segunda-feira, maio 21, 2012

O tormento

Os meus dias e as minhas noites.
Esse temor de adormecer, de entardecer o peso da tua vida na minha. Nos meus sonhos, passeiam os teus pés cândidos tracejando-se até mim, para que as tuas pesadas mãos se esmaguem no tormento.

terça-feira, maio 08, 2012

O meu sorriso

Hoje, perdi o meu sorriso.
Não sei bem onde,
Talvez por onde tenha passado,
Numa qualquer esquina,
Onde as palavras quebram em tamanha verdade,
Onde a ordem do mundo se expõe  em contraluz,
Num ângulo certeiro, dourado, em cruz.

Soturnas

Não escreverei o teu nome no meu diário. Não te quero nesta trajectória sem fim, e penosa. Não te quero neste livro sem fim que geme, com o bater das páginas sopradas a vento da minha profunda alma, sem rumo.
Não te quero na trajectória da minha caneta aguda numa dor de parto singular que esmaga cada palavra como a morte esmagará o fim das nossas intenções, soturnas,

sábado, abril 28, 2012

Sem-espaço

O quanto eu te amei. Não me importaria o sem-dinheiro , o sem-espaço. Não me importaria o calor dos nossos três corpos. O sem-espaço dos nossos três corpos apertados nesta meia-casa.

sexta-feira, abril 27, 2012

Pedaços

Que alguém me faça o favor de desligar o cérebro dos sonhos. Não aguento mais. Por vezes, sinto que não vou aguentar. Que o meu corpo vai enlouquecer e com ele, a minha cabeça se vai estalar. Plack. Pedaços de pensamentos impróprios de uma existência singular.

terça-feira, abril 17, 2012

Coubesse

...Se o mar, em mim coubesse,
Seria um peixe feliz no céu.

quinta-feira, abril 12, 2012

Meia

Chá da noite
Agulhas na boca
Meia vida no bolso

terça-feira, abril 10, 2012

Fantasmas dos nossos dias e das nossas noites.



Tenho de dar lugar a outras pessoas para que te possam amar
Como a esperada antecipação da morte
Morrer para viver,
Para dar lugar a outros.
Não cabemos todos no sonho de viver.

São mil poemas
Que a meio da noite
Acordam a minha boca
Gemem em sal
E todo o meu corpo treme
As palavras não sossegam
E cúmplices, espelham o teu rosto no meu
O teu rosto e o meu- fantasmas dos nossos dias e das nossas noites.