terça-feira, julho 03, 2012

Palavras ocas



No meu bolso, passeio a noite.
Os teus olhos negros postos em mim,
Profundos na cerrada escuridão
Beliscam-me em palavras ocas.

terça-feira, junho 26, 2012

Em fogo lento



O beijo quente da tua boca.
O suspiro de Deus que me tenta,
Para nos perdermos em fogo lento.


domingo, junho 24, 2012

Ela destila quando eu destilo

Os meus pensamentos embebedam-se da minha insómnia.
À Anilde. Ela ama-me como poucos. Ela entende-me como poucos. Nós nem somos da mesma cor. Nada em nós, converge. E ainda assim, ela vê-me. Ela lê-me. Ela destila quando eu destilo.

segunda-feira, junho 18, 2012

Porto de abrigo.

Blank, blank.

quarta-feira, junho 06, 2012

Tenho a voz no abismo.

Começaram as noites sem comer, os dias sem fim de trabalho, o trabalho que dá pão e o trabalho que alimenta a alma desnudada à procura de si.
Começaram as noites em que dou os maiores encontrões na noite profunda que me recebe à saída da sala de ensaio.  Passo fome, porque me esqueço. De mim.
Começaram as noites e o mundo passa por mim.
E quando me liberto por volta da meia-noite, percebo que me perdi na minha solidão, a que mais me ama, a que mais me respeita, que nunca me trai.
E deixamos tantas músicas e tantos sonhos para quem? E para quê? Tenho a voz no abismo. Dói-me, muito porque dê tudo, porque a dei a todos sem presença. Estou sem uma gota de voz nestas veias em jeito de trepadeira num corpo vertiginoso que me guia com os olhos postos em ti.

terça-feira, maio 29, 2012

Inexistência

Para mim, e para todos aqueles que aqui se identificam:

Nunca nos acham muita piada, a não ser depois de mortos.
Vêem-te como uma carta fora do baralho até ao dia em que Deus te murmura ao ouvido e te apagas conforme a Lei da Vida (?). E eis que morreste. E essa carta, assim, no meio do nada, a carta que foste, fora do baralho, revela-se um rei de copas, ou de espadas, se estiveres em pé de guerra. Tudo parece uma piada..uma piada de mau gosto. E tu, ris-te. Finges que tudo está bem, que tudo faz sentido, que a atrocidade na tua vida, é a cereja agridoce no topo de umas camadas arquitectonicamente bem montadas de um pão-de-ló ressequido de tanta porrada que levaste e vais continuar a levar. És o aborto social das elites. És a antítese levantada ao quadrado da resposta certa num exame de resposta múltipla, onde tudo está rigorosamente definido, até mesmo a tua, a nossa Inexistência- a rainha das noites sem tecto, das noites privadas de muros, de um sentido de pertença que em nós não cabe.

segunda-feira, maio 28, 2012

B

Branco, branca, blank.

terça-feira, maio 22, 2012

Absoluto-astuto

Não sei se alguma vez cheguei a gostar de ti. Penso que a resposta encontra o seu ponto no vazio. Sei que morreste, a tua fúria, o teu ódio morreu. Contigo, levas tudo, levas-nos as nós, as crianças que tentámos ser, nas pastas pesadas que carregaste no ódio de nos ter como teus netos, filhos de um pai odiado. Tentaste tudo partir, semear o desespero, o medo, alimentaste-nos na ira. Desequilibrados que somos hoje, nada mais temos a temer. Tudo tem um fim. E a ironia irradia neste virar de página em silêncio absoluto-astuto, porque nada tem para dizer, porque nada quis alguma vez concluir.

segunda-feira, maio 21, 2012

O tormento

Os meus dias e as minhas noites.
Esse temor de adormecer, de entardecer o peso da tua vida na minha. Nos meus sonhos, passeiam os teus pés cândidos tracejando-se até mim, para que as tuas pesadas mãos se esmaguem no tormento.

terça-feira, maio 08, 2012

O meu sorriso

Hoje, perdi o meu sorriso.
Não sei bem onde,
Talvez por onde tenha passado,
Numa qualquer esquina,
Onde as palavras quebram em tamanha verdade,
Onde a ordem do mundo se expõe  em contraluz,
Num ângulo certeiro, dourado, em cruz.

Soturnas

Não escreverei o teu nome no meu diário. Não te quero nesta trajectória sem fim, e penosa. Não te quero neste livro sem fim que geme, com o bater das páginas sopradas a vento da minha profunda alma, sem rumo.
Não te quero na trajectória da minha caneta aguda numa dor de parto singular que esmaga cada palavra como a morte esmagará o fim das nossas intenções, soturnas,

sábado, abril 28, 2012

Sem-espaço

O quanto eu te amei. Não me importaria o sem-dinheiro , o sem-espaço. Não me importaria o calor dos nossos três corpos. O sem-espaço dos nossos três corpos apertados nesta meia-casa.

sexta-feira, abril 27, 2012

Pedaços

Que alguém me faça o favor de desligar o cérebro dos sonhos. Não aguento mais. Por vezes, sinto que não vou aguentar. Que o meu corpo vai enlouquecer e com ele, a minha cabeça se vai estalar. Plack. Pedaços de pensamentos impróprios de uma existência singular.

terça-feira, abril 17, 2012

Coubesse

...Se o mar, em mim coubesse,
Seria um peixe feliz no céu.

quinta-feira, abril 12, 2012

Meia

Chá da noite
Agulhas na boca
Meia vida no bolso

terça-feira, abril 10, 2012

Fantasmas dos nossos dias e das nossas noites.



Tenho de dar lugar a outras pessoas para que te possam amar
Como a esperada antecipação da morte
Morrer para viver,
Para dar lugar a outros.
Não cabemos todos no sonho de viver.

São mil poemas
Que a meio da noite
Acordam a minha boca
Gemem em sal
E todo o meu corpo treme
As palavras não sossegam
E cúmplices, espelham o teu rosto no meu
O teu rosto e o meu- fantasmas dos nossos dias e das nossas noites.

terça-feira, abril 03, 2012

Nada.

Retiro
Praia Grande, Março 2012
Sentam-se ao meu lado os seus 83 anos.
Pinta o brilho da luz no seu rosto.
E retoricamente, expõe: "acha que ...(pausa) morrer...sente-se alguma coisa? Acha? Não se deve sentir nada, pois não? "
Respondo determinada para que a calma a abrace no olhar, frágil, temente: "não, não se deve sentir nada. Deve ser um pouco como quando se nasce. Nascemos sem nos lembrarmos de nada. É uma onda que passa por nós e que nos leva sem darmos por nada. Ninguém se lembra do antes, e não nos lembraremos do depois".

Nada
Nadam no teu olhar, as ondas da praia
As que te viram crescer com uma flor, lá ao longe, num horizonte vadio
Essas ondas que bem te queriam afogar,
Para que com a tua beleza, pudessem se pintar
Na noite que tudo apaga-
O interior do mar
Que mil segredos guarda
Como o teu, um dia aguarda.

domingo, março 18, 2012

The Grey



Os filmes nem sempre se querem os melhores do mundo, e por isso mesmo se tornam nos mais fantásticos. Assim como as pessoas.

terça-feira, março 13, 2012

o amor nos outros

Não sei como germina o amor nos outros, mas sei que o amor que sinto por ti, nasceu mesmo antes de te conhecer.

Pura

A mais pura magia da vida humana.