Sentir-se quando a noite não tem paredes
De costas despidas
Gélida, para que o pensamento ecoe
Solto a negra
De turvos candeeiros
Como a vista de Deus
Sobre ti,
Disforme para que não te veja.
quinta-feira, junho 27, 2019
Estás
tão longe.
Numa impossibilidade que nos ultrapassa.
domingo, junho 16, 2019
Os dias seguem intemporais, sem nada que os faça notar.
quinta-feira, novembro 01, 2018
A vida dos Outros.
Cada palavra é um passo em frente, para o abismo, esse fosso do passado.
Pois eram: dias após o falecimento do meu pai, estava na Superfm a dar uma entrevista em modo zombie. Um pouco perdida sim, mas abraçada pelo João e pelo Sérgio. A Telma Dourado da Superfm ajudou a superar cada minuto desta entrevista sem perceber o que navegava cá no fundo: a morte- a solidão invertida para quem não parte. Para quem fica.
De regresso às intempéries.
O mundo sonha. E nós estamos para o mundo. O mundo está para nós como nós estamos para o mundo- vértice a vértice, como pano de cena, onde tudo se esconde e tudo se revela.
Nos teus braços-abraços, musicava todas as tuas palavras. A cor do teu brilho despia-me de todas as dores e medos. Havia, em nós, como que um rodopio rolando sob as nossas preces para que nos fingíssemos. Nada estava certo, porque estava certo.
É nos próximos passos, que a ansiedade fermenta. O novo disco dos Cinemuerte está para sair em breve, e tenho aquela sensação de nada-sensação. A malta vai estranhar o disco como quem estranha uma pessoa que não reconhece. Estranhamente, esta fase da banda é a maior paixão da minha vida.
Esta frase fica-me tão mal. Mas é a minha verdade.
Somos imperfeitamente perfeitos.
Tolo-bom ou o Erro de viver. Nesta vida, ser bom, é precisamente o caminho da desgraça pessoal. O fazer o bem não é caminho com retorno. Que grande tanga essa que nos ensinam: dar para receber. Os seres mais bem sucedidos são os que prot...egem a sua individualidade, os seus interesses. Pois na verdade vos digo, que jamais me nasce o interesse do sucesso pessoal. Ambiciono a paz de espírito e a dos outros, apenas. Sei perfeitamente que sempre perdi à conta de fazer o "Bem". E tenho a noção clara da aposta perdedora na minha forma de ser. Não procuro explicar nem que me expliquem o meu erro de viver. Apenas o vivo, e sinto que ser tolo-bom, é como a música que nos ensina a ser: é-se apenas nas mãos de um destino maior.Ver mais
As escolhas de Deus.
Nelas me encontro, numa profundeza tardia.
Falamos mais do que nunca, pela distância que nos separa mais do que nunca.
Mais do que nunca, estamos mudos e surdos, um do outro.
Mais do que nunca, temos a certeza do nosso existir neste paramundo.