segunda-feira, maio 21, 2012

O tormento

Os meus dias e as minhas noites.
Esse temor de adormecer, de entardecer o peso da tua vida na minha. Nos meus sonhos, passeiam os teus pés cândidos tracejando-se até mim, para que as tuas pesadas mãos se esmaguem no tormento.

terça-feira, maio 08, 2012

O meu sorriso

Hoje, perdi o meu sorriso.
Não sei bem onde,
Talvez por onde tenha passado,
Numa qualquer esquina,
Onde as palavras quebram em tamanha verdade,
Onde a ordem do mundo se expõe  em contraluz,
Num ângulo certeiro, dourado, em cruz.

Soturnas

Não escreverei o teu nome no meu diário. Não te quero nesta trajectória sem fim, e penosa. Não te quero neste livro sem fim que geme, com o bater das páginas sopradas a vento da minha profunda alma, sem rumo.
Não te quero na trajectória da minha caneta aguda numa dor de parto singular que esmaga cada palavra como a morte esmagará o fim das nossas intenções, soturnas,

sábado, abril 28, 2012

Sem-espaço

O quanto eu te amei. Não me importaria o sem-dinheiro , o sem-espaço. Não me importaria o calor dos nossos três corpos. O sem-espaço dos nossos três corpos apertados nesta meia-casa.

sexta-feira, abril 27, 2012

Pedaços

Que alguém me faça o favor de desligar o cérebro dos sonhos. Não aguento mais. Por vezes, sinto que não vou aguentar. Que o meu corpo vai enlouquecer e com ele, a minha cabeça se vai estalar. Plack. Pedaços de pensamentos impróprios de uma existência singular.

terça-feira, abril 17, 2012

Coubesse

...Se o mar, em mim coubesse,
Seria um peixe feliz no céu.

quinta-feira, abril 12, 2012

Meia

Chá da noite
Agulhas na boca
Meia vida no bolso

terça-feira, abril 10, 2012

Fantasmas dos nossos dias e das nossas noites.



Tenho de dar lugar a outras pessoas para que te possam amar
Como a esperada antecipação da morte
Morrer para viver,
Para dar lugar a outros.
Não cabemos todos no sonho de viver.

São mil poemas
Que a meio da noite
Acordam a minha boca
Gemem em sal
E todo o meu corpo treme
As palavras não sossegam
E cúmplices, espelham o teu rosto no meu
O teu rosto e o meu- fantasmas dos nossos dias e das nossas noites.

terça-feira, abril 03, 2012

Nada.

Retiro
Praia Grande, Março 2012
Sentam-se ao meu lado os seus 83 anos.
Pinta o brilho da luz no seu rosto.
E retoricamente, expõe: "acha que ...(pausa) morrer...sente-se alguma coisa? Acha? Não se deve sentir nada, pois não? "
Respondo determinada para que a calma a abrace no olhar, frágil, temente: "não, não se deve sentir nada. Deve ser um pouco como quando se nasce. Nascemos sem nos lembrarmos de nada. É uma onda que passa por nós e que nos leva sem darmos por nada. Ninguém se lembra do antes, e não nos lembraremos do depois".

Nada
Nadam no teu olhar, as ondas da praia
As que te viram crescer com uma flor, lá ao longe, num horizonte vadio
Essas ondas que bem te queriam afogar,
Para que com a tua beleza, pudessem se pintar
Na noite que tudo apaga-
O interior do mar
Que mil segredos guarda
Como o teu, um dia aguarda.

domingo, março 18, 2012

The Grey



Os filmes nem sempre se querem os melhores do mundo, e por isso mesmo se tornam nos mais fantásticos. Assim como as pessoas.

terça-feira, março 13, 2012

o amor nos outros

Não sei como germina o amor nos outros, mas sei que o amor que sinto por ti, nasceu mesmo antes de te conhecer.

Pura

A mais pura magia da vida humana.

segunda-feira, março 12, 2012

Mar

O meu corpo chora nu, na esperança que o mar desta cama, me rasgue daqui para fora, assim como na mesma agitação sábia com que perpetuou um crime maior: deitar ao mar, que nem pedras de chumbo, os meus pobres sonhos, pobres em luz, órfãos na cruz.

(ao som dos Beastie Boys)

Branco

To Zorro,

Gritaste o meu nome e nada esquece a bravura da tua voz. Peço que esqueça.
Nem um livro teu, li. O teu livro é branco. O meu livro, às noites pertence.

Não te leio porque em ti, temo ler o meu nome. Nos versos que traçam os teus caminhos, temo no mais profundo terror que me invade pelo peso de cada letra que sela o meu nome.

Estreitas costuras

É sabido: ninguém escolhe a família que tem. Tudo é mistério nesta matéria. Os que vestem da nossa pele, por vezes, golpeiam-nos nas mais estreitas costuras da alma.

sábado, março 10, 2012

Filme do Desassossego, de Joâo Botelho

Mais logo, na Gulbenkian, entrada livre.



sexta-feira, março 09, 2012

Vai-te.

Meu amor, enterrei-te bem enterrado no Jardim dos Amores. Não tentes fugir, nem tentes puxar-me para junto de ti como uma raíz insaciável, cruel, veementemente demente. Vai-te.

terça-feira, março 06, 2012

Degenerativo


















Ainda ninguém deu por mim. Estou estendida no chão desde Maio passado.
Vês? Ali, estou eu. Os meus braços cor de cal, presos ao chão, pesados de dor por amor. O amor degenerativo mas sem género.
Odeio-me por não conseguir passar para além da linha em meia-lua na cama que fomos.

Inquebráveis

Qualquer dia, inventam pessoas sem ossos- inquebráveis, flexíveis, elásticas para bom uso.

segunda-feira, março 05, 2012

Negro de fim de frias tardes.

Eu nunca vou crescer. Por mais que envelheça, eu nunca vou crescer. Serei sempre aquela criança e aquele medo. Aquele medo e aquela criança- aquele tempo, o terror, como um monstro negro, negro de fim de frias tardes.
Naquele tempo, dia após dia em anos sem fim, sem 1 ou 31, todos os dias rodopiam. Naquele tempo, os dias não eram dias. Os dias não existiam. Só as noites existiam.
O monstro, a espuma e a sua boca. O monstro, os braços secos de vida, e a sua força.(apaguei.)
Na minha voz, na voz que ouvem por vezes entre versos e meios versos, jazem os gritos, gemidos e espasmos do Monstro.

Se o Monstro,
Querem ouvir,
Façam silêncio...de morte
Como quem faz amor de sorte.
Apaguem-se, trajem o medo-o medo do negro de fim de frias tarde.